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Legado pró-palestinos de Mandela continua vivo uma década após sua morte

Placeholder - loading - Bandeira da África do Sul atrás de estátua de Nelson Mandela na Cidade do Cabo 05/12/2023 REUTERS/Esa Alexander
Bandeira da África do Sul atrás de estátua de Nelson Mandela na Cidade do Cabo 05/12/2023 REUTERS/Esa Alexander

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Por Carien du Plessis e Shakief Tassiem

JOHANESBURGO (Reuters) - Dias depois de ser libertado de 27 anos de prisão em fevereiro de 1990, o ícone antiapartheid Nelson Mandela abraçou o então líder palestino, Yasser Arafat, simbolizando sua adesão a uma causa que o partido governista sul-africano, Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), continua defendendo até hoje.

Na época, foi um gesto tão controverso quanto é atualmente o apoio da África do Sul à causa palestina, mas Mandela conseguiu afastar as críticas.

A Organização para a Libertação da Palestina, de Arafat, foi uma apoiadora inabalável da luta de Mandela contra o domínio da minoria branca e muitos sul-africanos viram paralelos entre ela e a resistência palestina à ocupação israelense.

'Tivemos a sorte de, com o apoio deles, conseguirmos nossa liberdade... Meu avô disse que nossa liberdade é incompleta sem a luta palestina', lembrou Mandla Mandela, neto do ex-líder sul-africano, em uma entrevista antes de cerimônia para marcar o 10º aniversário da morte de Mandela.

De 3 a 5 de dezembro, Mandla Mandela, que também é parlamentar do CNA, organizou uma conferência de solidariedade aos palestinos em Johanesburgo.

A conferência contou com a presença de membros do Hamas, organização que Israel prometeu aniquilar em retaliação ao ataque de 7 de outubro ao sul de Israel, que matou 1.200 pessoas e fez cerca de 240 reféns, de acordo com os registros israelenses.

Os bombardeios israelenses em Gaza desde então mataram mais de 15.500 pessoas, de acordo com o governo do Hamas em Gaza, e deslocaram mais de 75% dos 2,3 milhões de habitantes do enclave.

No mês passado, o ANC apoiou uma moção no Parlamento sul-africano para suspender os laços diplomáticos com Israel até que o país concorde com um cessar-fogo em Gaza.

Israel tem contestado a comparação com o apartheid como uma mentira motivada pelo antissemitismo, mas muitos sul-africanos seguem o exemplo de Mandela.

'Isso é algo com que ele (Mandela) nunca se comprometeu e nem nós deveríamos', disse a poeta e escritora Lebogang Mashile à Reuters.

Alguns membros da comunidade judaica sul-africana criticam a posição do ANC, ressaltando que o próprio Mandela acabou tentando construir pontes com Israel.

Escrito por Reuters

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